Conto das Formiguinhas #11

Duas formiguinhas saíam para o topo do formigueiro, após o expediente. Ali fora, no bosque, aproveitavam a brisa suave da noite para conversar. A prosa era geralmente sobre trabalho, pois geralmente não havia nada mais interessante para abordar.

Em uma de suas saídas abordam algo. Sentadas na borda do amontoado de areia levantam o olhar para um objeto nada convencional. A lua estava pregada no meio do céu circundada pela copa das árvores.

– “Minhas antenas captaram a beleza”-

– “Mas o que será isso de brilho perfeito? “ –

– “É linda a circunferência, nisso há certeza” –

 

Alguns dias depois voltam as duas formiguinhas. Ao notar que o “ser brilhante” estava na borda da copa das árvores, esperam observando. Com o tempo a lua é absorvida pela copa das árvores. Nada impressionadas, voltam ao formigueiro concordando:

“Tão bela, porém tão indefesa
Perante as imponentes árvores
Qualquer criatura vira presa”

 

Conto das Formiguinhas #11

Pião #10

 

Há a terra, há a vida
Na lavoura, há o pão
Dor existe na labuta
Nada muda, volta ao chão

Sob o sol mais escaldante
É feito caldo, o peão
Pelejando vai o tempo
Um giro sem senso, contramão

Pião #10

50 Tons de Branco # 9

Narração + Comentários = Play 

 

No chalé do esquimó eu pedi
Por uma camiseta branca
– A branca bebê ou branco gelo?
Minha cara de peixe morto lhe foi familiar
Mas não foi suficiente para fazê-lo parar
– Branco fosco ou o branco salino?

Ora, não seria óbvio de esperar
Dele, que em tanto branco desbrava a vida,
Distinguir o tom da neve do tom do ar

Devo desculpas aos esquimós:
Pois nunca irei bem conhecer
O que me acostumei a ver
Apenas por imagens distantes
Aquilo que nunca vou viver
Se não por uma tela de tevê

50 Tons de Branco # 9

Vai e Vão #8

Dizem que o mundo é muito incerto
De certo não vivem no mundo que eu
Pois mesmo que envolto por breu.
Vejo com clareza, circunstância:

Alcancei o horizonte
Não saí do meu lugar

Os mundos e estrelas,
Debruçam-se em valsas

Folhas vão cair após o rastelar
Murados se erguem os castelos
O chorar acompanha o nascer
Noite e dia, à brigar por um lar

Longa foi a ida?
Comprida será a volta

Elevamos velas finas,
Para clarear o céu

Nada novo existe,
Debaixo desse Sol

Comentários e narração em breve

Vai e Vão #8

O Sol #7

O Sol.jpg

Como o fogo devora o ar
Sem parar, assim incessantemente
Como a luz que está a brilhar
Ignorando o tempo, o fazendo esperar

Sua influência vai muito além
Do limite até onde posso enxergar
O seu rastro infinito percorre os céus
E sua luz pode a última estrela alcançar

Desata o horizonte; derrota o breu
O expulsando de todo o canto
Brota todos os dias, sem nunca falhar
O céu é seu trono; seus raios, o cetro

Despeja cor na mais pálida superfície
E traz o calor com um simples olhar
A vida devolve com um leve toque
Escorre a morte escura, a se desesperar

O Sol #7

Miragem #5.3

A silhueta de grandes arranha céus quebra o horizonte. Construídos de costas para o sol, suas sombras cobrem tudo que está em baixo. O pesado buzinaço se choca contra as altas paredes, e pesa os ouvidos de quem está sob o regime de lá. A hora é de Rush, e nas largas avenidas todos tentam chegar em algum lugar. Vendo de longe parecem formigas, borradas de tão pequenas.

Mesclado a paisagem, o seu carro preto é um dos causadores da fila. A chave na indignação está desligada, e não tem pretensão de encostar na estrada. Os apressados passam buzinando, mas não adianta nada. Por estar imóvel, faz parte do labirinto.

– O mapa? – apontando para uma pilha de papeis empoeirados no banco de trás. – Ele te leva até a saída da cidade. Segui ele uma vez. Mas é loucura! Quem pensa em sair daqui?

Não esta perdido, já chegou no seu destino. Completava a paisagem, estacionado no meio do grande emaranhado de asfalto. Olha incomodado os motoristas que insistem em consultar o mapa. E fica indignado, poucas vezes, quando pegam a saída sumindo no horizonte.

É estático como os blocos de concreto que mantém cada prédio em seu lugar. Mas não faz questão. As sombras que os prédios derrubam são as mesmas que cobrem o seu chão.

 

Miragem #5.3

Gravidade #6

Dê play e vai!

A chuva forte borra o olhar
Mas escorre e o verde vem regar
O vento bravo aborrece o mar
O mesmo vento faz o barco andar

O fogo que consome o que encontrar
É o mesmo que os germes vem queimar
A terra vem a vida abocanhar
Mas faz a plantinha germinar

A gravidade é para avisar
Que para a queda, basta tropeçar
A dor que insisto em esquecer
Me lembra que esse não é meu lugar

Gravidade #6